Legislativo de Canoas: Aprovada moção de repúdio contra aumento da passagem da Trensurb

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Na sessão desta terça-feira (6/2), a Câmara Municipal de Canoas aprovou moção de repúdio contra o reajuste da tarifa de 94,12% para os usuários da Trensurb, em defesa do emprego e a manutenção dos índices de subsidio de transporte coletivo de massa. Com o aumento, o valor da passagem passou de R$ 1,70 para R$ 3,30. O requerimento, de iniciativa da vereadora Maria Eunice (PT), foi subscrito pelos demais parlamentares e aprovado por unanimidade.

O texto enfatiza que o transporte público coletivo urbano atende majoritariamente a pessoas de média e baixa renda no Brasil, o que torna o valor da tarifa desses serviços um instrumento importante na formulação de políticas de inclusão social e na gestão da mobilidade urbana. “O índice autorizado pelo governo federal ficou acima da inflação oficial (IPCA) do período, que foi de 79%, segundo o IBGE. Desta forma, fica evidente que o aumento foi abusivo e que este reajuste vai agravar o empobrecimento, o desemprego, a renda e o acesso aos serviços públicos como saúde, educação e lazer das famílias com menor renda”, diz a moção.

Durante a votação, o requerimento foi debatido pelos parlamentares. O vereador Juares Hoy, líder da bancada do PTB, reapresentou a sua sugestão de convidar o presidente da estatal para apresentar na Câmara os motivos do aumento e um panorama da situação da empresa. O parlamentar avaliou como absurdo o reajuste de quase 100% e responsabilizou o governo dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff pelo sucateamento da Trensurb, lembrando que há dez anos o valor da tarifa não era reajustado. Embora tenha votado favorável à moção, Juares classificou o documento como oportunista: “Não é necessário um requerimento para dizer o óbvio, que o aumento é absurdo”.

A vereadora Maria Eunice defendeu a importância de o Legislativo canoense se posicionar sobre o tema e reafirmar o seu compromisso com a população. Segundo ela, os trabalhadores que recebem até um salário mínimo terão 30% da renda comprometida. Apontou que o reajuste também atinge as empresas. “Não se trata de discussão político-partidária, mas de manifestar nossa preocupação com a população”, argumentou.

Ao considerar a situação inaceitável, o vereador Aloisio Bamberg (PCdoB) disse que não é possível que o governo federal, com todos os impostos recolhidos, não apresente condições de subsidiar o transporte público de massa. O parlamentar fez um alerta em relação às demissões que poderão ocorrer, uma vez que o reajuste impacta também nos custos da empresa, citando como exemplo as pessoas que moram em Porto Alegre, mas trabalham em São Leopoldo.

O vereador Ivo Fiorotti (PT) afirmou que a preocupação é com a retirada do subsídio e que sua bancada está propondo o debate sobre o transporte público de massa. “Há suspeitas de que a ideia seja retirar o subsídio para garantir uma situação superavitária para depois facilitar a privatização da empresa pública”, ponderou. Apesar de concordar com a necessidade de um reajuste após tantos anos de congelamento da tarifa, o vereador Canhoto (SD) criticou o percentual do aumento e afirmou que o povo não pode pagar pelos erros das administrações que passaram pela Trensurb ao longo dos anos.

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